Crônicas

Oração para os fortes

Ultimamente tenho pensado na diferença entre maturidade, alienação e libertação existencial. A reflexão surge com base nas situações em que algo nos incomoda, aborrece ou se mostra absurdo, e, por diferentes justificativas, silenciamos ou entubamos em nome do perdão. 

Como saber se essa atitude tão altruísta tem poder digestório ou infeccioso?

Uns dizem que amadurecer é escolher as lutas. Outros afirmam que calar para evitar desgastes é uma forma de superioridade. Há quem pense que toda evolução espiritual depende da irrestrita aceitação das falhas humanas. 

Será que é mesmo assim? 

E se amadurecer for se permitir não tolerar, resignar ou recomeçar? 

E se evoluir for romper tratados que ameaçam as fronteiras da paz interior?  

Uma coisa é certa, evoluir é jamais desistir do que nos habita no íntimo. Mesmo que isso signifique seguir em frente, aparentemente, só. 

Atentemos para as armadilhas sórdidas da aceitação. Algumas coisas são inegociáveis. Perdoe-se quando não puder perdoar.

Soraya Jordão

Soraya Jordão é psicóloga e escritora. Nasceu no Rio de Janeiro em 1968, sob o signo de Virgem. Durante a pandemia, descobriu seu interesse pela escrita. É autora do e-book de contos Histórias que contei pra Lua, publicado pela Amazon, em 2022. No mesmo ano, publicou o livro infantil O plano do tomate Tomé, pela editora Itapuca. Foi finalista do concurso Poeta Saia da Gaveta do Verso Falado (2021) e do concurso de crônicas do Instituto Fome Zero (2022). Recebeu menção honrosa no Concurso Literário Relâmpago Virtual, da FALARJ, em 2023. Seu primeiro romance Ciranda de mamutes foi selecionado e publicado pela Editora Patuá em 2023. Escreve para os sites Crônicas Cariocas e Crônica do Dia.

Um comentário

  1. Uma forte reflexão.É uma linha muito tênue mesmo…Entre fazer o que precisa ser feito e nossos sentimentos..

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